Sobre Tradições e afins

Abro meu feed de notícias do Facebook e me deparo com mais uma “tradição” macabra. Paro por um minuto diante da chamada, da foto perturbadora, e respiro fundo. Leio ou não leio? Minha curiosidade diante da estupidez humana me pede para ir adiante. Droga, eu sabia que não devia abrir essa matéria. Mas agora já era. O estrago já está feito.

Em Camarões, sabe, aquele país pequenininho que fez bonito uma vez numa Copa do Mundo? Então. Lá em Camarões, eles “passam a ferro” os seios em nascimento das meninas, para tentar atrasar seu desenvolvimento, a fim de que não atraiam a atenção dos homens, numa tentativa de postergar o início da vida sexual delas.  Em que ano estamos, mesmo? – eu me pergunto, em choque.

Bem, estamos em 2017, já fomos à Lua, a Marte, já temos hoverboards, smartphones e as “tradições” continuam firmes e fortes. Tenho antipatia desse termo: tradição. Porque ele sempre é usado para justificar comportamentos injustificáveis frente ao nosso desenvolvimento. Tourada na Espanha, enfurecer e espetar um touro até enfiar uma espada no animal agozinante é tradição, dizem os defensores da prática.  Mutilação genital feminina também. Trotes violentos no exército no Brasil e em muitos outros países: tradição. Trotes violentos nas faculdades, ufa, essa tradição está sendo abolida. Casar meninas com homens adultos em vários países. Afastar de casa mulheres menstruadas porque elas trazem azar. Fazer meninos enfiarem as mãos em uma luva cheia de formigas para “provar que são homens”. Levar meninos a casas de prostituição pelo mesmo motivo. Me parece que grande parte das tradições absurdas que permanecem segue regras criadas por homens, ou para atender a desejos, superstições e medos masculinos.

Algumas tradições femininas porém, parecem estar sumindo, enquanto outras ressurgem, para o bem da humanidade. A tradição das benzedeiras está morrendo, as novas gerações não parecem se interessar em aprender essa arte espiritual. Mas o trabalho das parteiras ressurge no papel das doulas, que buscam atender às mulheres em trabalho de parto de forma gentil, dando suporte e orientando-as para uma hora mais tranquila. Que maravilha de tradição!

Somente porque algo sempre foi feito de determinada forma, ou porque algumas práticas se tornaram uma “tradição”, não quer dizer que sejam boas, corretas ou devam ser levadas adiante. Usemos o bom senso, a razão, as descobertas científicas, e sobretudo o amor e a compaixão para nos guiar na escolha de quais tradições seguir e quais abandonar. Nem tudo é justificável em nome da “tradição”.

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2 comentários em “Sobre Tradições e afins

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