Sobre meninos, meninas e meninxs

Um bom amigo contou certa vez que “descobriu” que não era mulher e nunca seria na sétima série, que era quando se estudavam os aparelhos reprodutivos em ciências. Ele, em sua inocência, naquela época (ele tem quase 60 anos agora), se sentia diferente, mas não entendia porque. Disse ele que chorou trancado em seu quarto por vários dias. Não queria comer, só pensava em morrer. Sofreu sozinho, sem saber o que se passava com ele. Aqui, não era um “viado que queria dar o toba”, mas um ser humano, ainda criança, que se diferia do que se considerava normal na sociedade. Mas o que é ser normal?Na Índia o terceiro sexo é normal e aceito. Lá, isso é normal.

Que bom que hoje em dia os preconceitos estão sendo rompidos em relação a isso. Ninguém precisa sofrer a vida inteira porque tem orientação sexual diferente da norma. Não precisamos ir muito longe para saber que é necessário evoluir e aceitar as diferenças. Vc aceitaria que matassem um filho seu porque ele nasceu com uma deformidade? Obviamente que não. Mas algumas sociedades indígenas matam. Enterram vivos. Na África os albinos são considerados amaldiçoados e são perseguidos.

O oposto da ignorância é a luz. Que o mundo possa ver a luz, aceitar que a vida sexual ou amorosa dos demais diz respeito apenas aos indivíduos, respeitados os direitos do ser humano. Trabalhei na Cambridge há 20 anos, uma das escolas de inglês mais tradicionais de Londrina. Os donos eram um casal, o Val e o Edson. Eles eram muito respeitados e não me recordo de ter ouvido uma única piada ou comentário maldoso sobre eles enquanto estive lá. É preciso reconhecer que a sociedade evolui, e infelizmente nem todos irão aceitar essa evolução.

Vai levar um tempo, ainda, mas tenho esperança que no futuro, nossos bisnetos olhem para trás e digam: vcs acreditam que a homossexualidade era visto como uma aberração? Acredito firmemente a homossexualidade não é uma escolha, mas se for, ainda assim seria um direito das pessoas escolher o que desejam fazer com suas genitálias e suas vidas amorosas. Ah, inclusive hoje já se considera uma outra categoria: os assexuais. E eu conheço uma pessoa cujo filho não tem nenhum interesse, seja por homens ou mulheres.

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